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MÚSICA NO SANGUE

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21.06.2021

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O funk é a cultura desse tempo. É a juventude criando uma arte própria. Um espaço de extrema relevância para que essa geração compartilhe sua voz, suas identidades e pertencimento.

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Durante uma conversa com o Mc Lenego, 18 anos,  ele disse: “É somente através da música que consigo entrar e sair dos lugares sem ser discriminado”. Ouvir isso me fez pensar qual o tipo de relacionamento que a população, em geral, tem com os jovens que vêm das comunidades mais periféricas. É através da música que ele ganha o respeito. É através da música que ele ganha o seu espaço de fala.

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Com uma boa conversa, vínculos são construídos e uma relação de confiança naturalmente é gerada, principalmente quando estamos imersos em projetos sociais e culturais de longo prazo como esse. “Música no Sangue” fala sobre a experiência vivida por uma juventude de MCs de Funk Consciente, que através da música tornam visíveis suas lutas sociais, busca por reconhecimento, identidade e claro, conscientização.

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Este projeto teve início em 2020 quando registrei o ato de protesto pelo assassinato de Guilherme Silva Guedes, 15 anos, pela Polícia Mílitar de São Paulo. O assassinato do jovem ocorreu em um momento onde meu corpo de trabalho estava se voltando para causas sociais e para pesquisas sobre a relação das gerações em meio a sociedade contemporânea. Além disso, Guilherme foi assassinado no mesmo bairro em que eu nasci, o Jardim Miriam, logo percebi que quase nada havia mudado nele.

 

Criei um vínculo com jovens que estavam ali na manifestação e logo começamos a interagir. Eles disseram que eram MCs de Funk Consciente, um tipo de música que relata as vivências e abusos sofridos pela juventude periférica. Naquele momento entendi que havia uma história a ser contada. Percebi a potência daquele tipo de Funk quando vi toda uma geração de garotos utilizando a música como ferramenta para reivindicar seus direitos.

Ao final do ato havia um imenso número de jovens, amigos de Guilherme, cantando uma música sobre a opressão que viviam naquela região. Não foi a primeira vez que a polícia torturou um garoto ali e com certeza não será a última.

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Vê se acha justo essa parada

Mais uma mãe sofrendo

Porque o filho foi pra vala"

 

Tinha 15 anos nem viveu nada

Mais um anjo que sobe

Entristeceu minha quebrada

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Atualmente, no Brasil, o funk cresce exponencialmente e torna-se a expressão artística mais fundamental nas comunidades. É por meio desta cultura que esses jovens buscam por vitalidade nas resistências de suas lutas. É também, por intermédio da música que se tornam sujeitos de ação e diálogo para uma conscientização de não conformação dos parâmetros raciais e sociais que sempre existiram no país.

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Eles têm muito mais propriedade em reconhecer suas vivências e seus caminhos, mas ainda não percebem quanto o tempo dissolve nossos sonhos.

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Acredito muito na disposição da juventude para abrir novos caminhos. Essa é uma fase de formação e transição importante na vida de qualquer pessoa. Quando vejo um grupo de crianças e adolescentes protestando e lutando para se expressarem através da arte - e ainda abrindo debates importantíssimos sobre questões sociais - sinto um senso de responsabilidade em contar essa história. Nosso país tem muitas camadas culturais valiosas que as grandes mídias insistem em não mostrar. Estou ali, primeiramente, para ouvir com atenção a história de quem quero retratar. Na hora de fotografar tento ser o mais fiel possível em transferir para a imagem suas lutas e experiências.

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