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PROFISSÃO: AGRICULTORA

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10.06.2022

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Minhas avós eram agricultoras. Suas mães também, bem como suas avós. Eu sou mulher e venho delas, essa é a força motriz para o desejo de conhecimento que me levou a esse projeto. Mas não apenas de amor e reconhecimento em afetos que eu falo.

Quando eu saí do interior de Santa Catarina, onde nasci, acessei a faculdade e, com ela, o feminismo. Me vi como uma mulher do século XXI consciente dos meus direitos e dos impactos da sociedade sobre a minha existência. Também me vi como privilegiada por ter esse conhecimento que nunca poderei desaprender, e nem é uma opção voltar atrás.

 

Continuava pensando em minhas avós, no que foram e no que são, me deu vontade de voltar. Busquei o reconhecimento das minhas raízes e trombei com um desejo ainda maior de saber porque essas mulheres, com a vida tão marcada por seus ofícios, eram silenciadas como reais trabalhadoras.

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Nenhuma das minhas avós conseguiu certificar-se como agricultora em seus documentos.

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Essa é uma conquista muito recente da classe, fruto das lutas de movimentos de mulheres camponesas em todo o Brasil. Isso acontece pois, mesmo que sejam as mulheres que façam o trabalho pesado no campo (além de cuidar dos filhos e da casa), elas são vistas como “ajudantes” de seus maridos porque, normalmente, não lidam com o dinheiro da família. 

Não tive mais como entrevistar as minhas avós sobre isso, mas fui buscar outras mulheres que tinham como trabalho a lida no campo para que elas pudessem nos falar um pouco sobre suas vivências.

Assim surgiu o “Profissão: Agricultora”, um projeto de pesquisa e registro fotográfico que visa exibir algumas realidades de mulheres agricultoras do meio oeste do estado de Santa Catarina e mostrá-las como protagonistas da própria história. 

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Em memória de Joana Justi de Souza. 

Ter esse contato com as agricultoras foi engrandecedor, pude conhecer sobre vidas femininas que vagueiam e resistem no meio oeste de Santa Catarina e pude pensar sobre minha vida e no que posso fazer para que todas nós tenhamos uma visibilidade pelo que somos e pelos impactos que causamos em nossos meios. Cada mulher presente neste livro mostra um pouco sobre seus fazeres que são patrimônios imateriais da nossa cultura no estado de Santa Catarina, que tem uma parcela considerável da sua população que trabalha na agricultura ou que vêm de famílias campesinas.

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Esse também é um projeto de fotografia, acredito no poder dessa ferramenta como registro, elas dão cara aos nomes, às falas e aos lugares.

 

Fotografei a Mercedes e seus hidropônicos, a Joana e a Rosa que são mãe e filha trabalhadoras da agricultura, a Viviane que produz flores e hortaliças (e sua filha que faz terrários lindos), a Dirley que produz para subsistência e lida com gado, a Juraci que é professora e empreendedora de uma barraquinha de produtos na beira da estrada, a Armelinda e a Carmelinda que são irmãs de 84 e 86 anos e trabalham na roça até hoje e a Josiane que tem uma produção enorme de frutas que ela administra sozinha.

 

Fico muito feliz em produzir esse livro sobre mulheres e com uma equipe toda feminina. Espero que essas fotografias e frases possam trazer novos panoramas sobre a história das mulheres no estado de Santa Catarina e que muitas possam se identificar e se sentir representadas de alguma forma pelo que foi visto ou dito, sendo agricultora ou não pois a luta de uma têm que ser a luta de todas.

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"A gente sofria bastante preconceito (no colégio) por ser da agricultura, hoje minha filha dizer que é agricultora os coleguinhas dizem: "Nossa que legal!" Então deu uma inversão de valores muito grande nesse lado…"

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Quando Julia Perosa me convidou para fazer parte do projeto, eu sabia que também estava sendo convidada para reencontrar parte da minha história.

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Minha vó vende salgados no norte de uma ilha, saiu da roça e veio se reinventar na cidade. Parte dessa produção é feita na calmaria do fogão à lenha, a outra nas mãos de uma mulher colona que tudo muito bem desempenha. Minha outra vó, era menina moça quando percebeu que já tinha casado, saiu da roça para cuidar da casa, cabocla devota de João Maria, assim como muitas da Guerra do Contestado. 

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Minha família toda vem do Paraná, mas ficaram muito tempo em Santa Catarina. As duas avós sempre me falaram com gosto sobre o trabalho na roça, era um trabalho sofrido que queimava a pele no sol quente mas que fazia sentido do começo ao fim do dia. Antes de visitar as agricultoras para o projeto, eu mostrei e falei sobre ele para todas as mulheres da minha família, que entre choro e surpresa me incentivaram a ter esse encontro. Valorizar a mulher do campo é também valorizar cada uma delas, que não conseguiram permanecer nesse lugar.

O projeto Profissão: Agricultora já havia sido iniciado alguns anos antes pela Júlia, mas entrei a tempo de conhecer a Dirley, a Josiane, a Juraci, as irmãs Armelinda e Carmelinda, e a Viviane. Falar menos e ouvir mais era a nossa proposta quando entrávamos na casa de cada uma. As agricultoras presentes neste projeto estão em momentos distintos da vida, aposentadas na agricultura, trabalhando com equipes maiores, dirigindo seu próprio trator e comandando sozinhas seu próprio negócio, todas com uma única certeza: “O futuro do Brasil é o campo!” e, consequentemente, as mulheres do campo, cada vez mais ativas e organizadas nos seus papéis dentro desse ambiente carregado de tradição, que movimenta o país inteiro.

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Fotografias: Júlia Perosa, Cida de Souza. 

Agricultoras: Mercedes Stella, Roosa de Souza Becker, Joana Justi de Souza, Carmelinda Zago, Armelinda Zago, Rosalia Zago, Juracy M. M. Hentz, Dirley Maria Filippini, Viviane Stoffel e Josiane Pirolli Bariviera. 

O projeto conta com o patrocínio da Fundação Catarinense de Cultura, Governo do Estado de Santa Catarina, por meio do Edital do Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura 2020.

FOTOLIVRO

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O livro do Profissão: Agricultora já está disponível para quem quiser adquirir seu exemplar, ele é um fotolivro belíssimo que auxilia na materialização das memórias e fazeres do campo, nele você pode ver e ouvir as agricultoras contando suas histórias. 

Os livros estão à venda por R$50,00 e podem ser adquiridos por meio do Instagram: @profissaoagricultora

 

Ficha técnica

Fotografias: Julia Perosa, Cida de Souza

Design e Diagramação: Alló Estudio Criativo

Edição e Produção: Vanessa Gonçalves

Edição de áudio: Carlos Roberto Jr.

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