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FA-MÍ-LIA

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15.02.2021

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Com a pandemia do Novo Coronavírus, a Passarela de Samba Nego Quirido, em Florianópolis, SC, tornou-se o principal abrigo na cidade para a população em situação de rua. São mais de 300 pessoas que já estiveram abrigadas no local.

Agora, após a reorganização estrutural que a Passarela produziu, somam-se aproximadamente 150 pessoas. Se antes já viviam em desamparo, agora a situação encontra-se pior; carência de roupas, alimentos e higiene são as maiores reclamações. Além das dificuldades listadas, não se pode esquecer de uma das mais dolorosas, o preconceito.

A ideia de realizar este projeto intitulado "FA-MÍ-LIA" surgiu ao quando comecei a frequentar o local para entregar doações. Conforme fui me aproximando das pessoas, os temas que gostaria de retratar foram ficando claros para mim.

Apesar de tudo, não tinha muitas expectativas, ou um planejamento específico, sobre o que iria fazer na Passarela. Só consegui fazer o que fiz porque as pessoas me permitiram isso.

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O preconceito, que infelizmente é regra e rotina na vida da população em situação de rua, é tão forte por que grande parte da sociedade invisibiliza suas histórias. Este projeto, visa trazer fotografias que documentem uma visão de dignidade a quem é fotografado, sem esquecer da dura realidade que é por eles enfrentada.

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"Esse projeto visa a realização de fotografias que documentem uma visão de dignidade a quem é fotografado, sem esquecer da dura realidade que é enfrentada por eles"

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É necessário falar sobre a população em situação de rua de uma maneira humanizada, em que suas histórias importem.

Essa problemática é coletiva, e é dessa forma que deve ser resolvida, com o diálogo e a experiência.

Durante o processo, houveram pessoas da qual tive uma relação bastante próxima, entre diálogos e reflexões, já outras me pediam fotografias e conversávamos menos. Foi uma interação muito boa, de várias trocas e aprendizados. Eu me comprometi a devolver as fotografias impressas aos fotografados e isso, com certeza, teve um impacto muito grande na minha relação com essas pessoas. Devolver o que me foi dado.

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Encontrei ali personagens e histórias que, talvez, nunca cruzariam a minha vida em nenhum outro momento. Me emocionei muito com as conversas que tive desde o início com o André e o Luciano. Os dois são artistas, e possuem maneiras muito distintas de abordar a arte. Adorei pintar e fazer cerâmica junto do André e conhecer a pessoa batalhadora, criativa e responsável que é Luciano.

Anderson, que escreveu a poesia que está em minha exposição virtual, também me me ensinou muito sobre a desordem e dureza da vivência nas ruas, além de me emocionar com seus desenhos, pinturas e poesias.

Danny, mulher trans que resiste à vida nas ruas por meio de poesias, também me ensinou muito sobre o amor. Falamos muito sobre a comunidade LGBT+ nas ruas, e ela foi a responsável pela criação de dois espaços exclusivos para a comunidade LGBT+ na passarela. 

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Compartilhando o mesmo espaço, com histórias e trajetórias tão singulares, entendemos que todas as pessoas, independente de quem sejam ou de quão julgadas sejam, sabem na pele a importância da família - tanto a de sangue, quanto a de afeição – que se constrói na rua e lá se sustenta.
Políticas públicas voltadas para as populações em risco são tão necessárias quanto conhecer as lutas e as histórias das pessoas que passam por casas de apoio.

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Para mim entrar em contato com essa vivência tem sido de muito aprendizado e amor. Repensei muito sobre o motivo pelo qual faço as coisas, para que ou para quem quero que a minha arte seja válida. Lá consegui me aproximar muito mais de uma realidade que é tão diferente da minha. O interesse esteve comigo desde muito tempo.

Não concordo com as políticas feitas para a população em situação de rua e em como a sociedade aborda essa problemática. Quero mostrar que existem pessoas maravilhosas, de muita força e capacidade. Pessoas gentis, carinhosas e que precisam do apoio da sociedade. E se o apoio não vier, que no mínimo não venha a violência, o preconceito.

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As histórias da rua ao mesmo tempo que são inspiradoras, são duras e tristes. Estamos tratando de seres humanos, de vidas. Uma das maiores violências cometidas hoje com a população em situação de rua é a sua desumanização pela sociedade. 

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"Políticas públicas voltadas para a população em risco são ainda mais necessárias quando conhecemos suas lutas e suas histórias."

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